Etnografia

Trajes

Na indumentária gaiense predomina o traje campesino, com excepção dos centros piscatórios, Afurada e Aguda, onde permanecem ainda modelos de influência marítima.

Os trajes de Gaia foram no passado, nomeadamente no séc.XIX e princípio do séc.XX, de certo modo austeros, evidenciando, no entanto, alguns elementos decorativos valiosos, quer nos lenços de ramagens, quer nos aventais rendilhados ou nos paletós bordados.

Pode dizer-se que o traje solene foi sempre o mesmo em todas as freguesias do Concelho, apresentando só algumas variantes.

As lavradeiras mais ricas e as mulheres de estrato social mais alto utilizavam no seu vestuário panos de melhor qualidade, como sucedia com as capas de honra, que também apresentavam bordados e vidrilhos, ou com os trajes de ir à missa, os chamados fatos de "Ver a Deus", ou domingueiros. As mulheres do povo usavam tecidos grosseiros, como as chitas e as castorinas. A população feminina da beira-mar, nas lotas locais e nas vendas ambulantes, usavam tecidos pobres e à cabeça a canastrinha. Quando ficavam viúvas vestiam-se de negro.

Destaque para os trajes masculinos: traje de campo, moleiro, podador, lavrador rico, noivo, serandeiro, romeiro, feirante e pescador entre muitos outros.

Dos trajes femininos, destacam-se ainda: noiva, ceifeira, leiteira, galinheira, vareira, feirante e padeira. 


 
Lendas 

Todos os povos possuem as suas tradições, crendices e superstições, que se transmitem através de lendas, contos, provérbios e canções.

A lenda é uma narração fantasiosa sobre um facto real, e em Gaia também existem vários exemplos de lendas, nomeadamente a Casa da Bicha Moura (Sandim), a lenda do Rio Douro, do Rio do Espírito Santo (Arcozelo), do Lampião (Gulpilhares), de Santa Marinha, da Panela da Peste (Crestuma), do Furão Raivoso (Pedroso), da Santa Bárbara (Coimbrões), da Imagem do Senhor Jesus, da Maldade das Mulheres, de S.Cristóvão (Mafamude), e a lenda do Rei Ramiro. 



A Lenda do Rei Ramiro 

Conta uma das muitas variantes da lenda do Rei Ramiro ou lenda de Gaia, que o rei de Leão, Ramiro II, apesar de casado, se apaixonou por uma bela moura, pedindo-a em casamento ao irmão desta, Alboazer Albocadam. Como este não consentiu, o rei Ramiro II raptou-a, baptizou-a e deu-lhe o nome de Artiga. Em resposta, Alboazer mandou raptar a rainha e instalou-a no seu castelo em Gaia. O rei jurou vingar-se e veio para Gaia, onde aportou. Mandou cobrir as galés de panos verdes, combinou com as suas tropas que acorreriam a ajudá-lo ao ouvir a sua corneta e disfarçado de mendigo conseguiu entrar no castelo. A rainha não acreditou no seu amor e encerrou-o numa câmara. Quando o mouro regressou da caça, deu-lhe a possibilidade de escolher como morrer. O rei Ramiro pede que o deixem morrer num lugar alto a tocar a corneta. Acorrendo ao sinal combinado, as tropas do rei travaram uma grande batalha onde o mouro foi morto. Na viagem de regresso, no barco, como a rainha chorava pelo mouro morto, o rei não gostou e lançou-a ao mar com uma pedra ao pescoço. Quando chegou a Leão o rei Ramiro casou com a bela Artiga. 
 


Jogos Tradicionais 

Transmitido de geração em geração, o jogo tradicional ou popular normalmente é acompanhado de rimas, lengalengas, danças e cantares que são a expressão fiel de uma arte primordialmente comunicativa, um meio privilegiado de transmitir a maneira de ser, de estar, de sentir, de pensar e de agir de um povo ou região.

Em Gaia destacam-se entre os jogos de azar ou de salão, o anel, as prendinhas do senhor abade, o rapa; dos jogos físicos e de competição, o jogo das pedrinhas, o pisca, os cinco cantinhos, o eixo, o arco, o pião, a cabra-cega, a corrida de sacos, em três pernas, a corda quebrada, o jogo do prego, as cadeirinhas, a fitinha, as escondidinhas, entre muitos outros. Nos jogos com música, com cantigas de roda e damas, destacam-se o jardim celeste, a carrasquinha, machadinha, condessa, olha a borboleta, dança do pezinho, a pulga maldita, atirei o pau ao gato e o barqueiro, entre as mais conhecidas. 
 


Danças Tradicionais 

As danças andavam sempre aliadas às festas realizadas no final dos ciclos da Terra (ceifas, malhas, vindimas, desfolhadas) de cariz lúdico ou às festas de componente mais religiosa, como as romarias a santuários.
A dança é constituída por vários elementos: o simbolismo, a forma, os acessórios, a coreografia, a música e a técnica. É a diversidade destes elementos que caracteriza e classifica as danças folclóricas e populares portuguesas.

Entre as danças populares mais características de Gaia salientamos Rusga ao Senhor da Pedra, canção dançada pelos grupos de romeiros em direcção à Capelinha do Senhor da Pedra em Miramar; Camarinhas (nome de fruto existente no areal da praia), dança do final do séc. XIX que se dançava no Senhor da Pedra no fim das Rusgas e o Vira Valseado, vira de roda dançado depois de um dia de trabalho na colheita do milho e ao fim da escapelada ou desfolhada.



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